Ficool

Who Is The Protagonist?

KauzTV
7
chs / week
The average realized release rate over the past 30 days is 7 chs / week.
--
NOT RATINGS
195
Views
Synopsis
It was just another ordinary day when the first scenario unfolded. Amidst the chaos, challenges, and the need to survive, people found themselves lost... some sad, others desperate, and... some happy. Some rise from the ground to reach the top, but it won't be that simple, it never has been. Who will prove worthy of reaching the end? After all, who is the protagonist?
VIEW MORE

Chapter 1 - Chapter 1: Joining the game

O Aeroporto Internacional de Incheon era exatamente como Cheon se lembrava: uma sinfonia de vidro, aço e o zumbido constante de malas de rodinhas ecoando pelo mármore imaculado. Era o tipo de lugar que parecia existir fora do tempo — um purgatório tecnológico entre o resto do mundo e o coração da Península Coreana.

Em meio ao fluxo de turistas e empresários, o jovem de sobretudo branco se destacava não pelo que fazia, mas pelo seu silêncio. Seus olhos castanhos percorriam o saguão de desembarque com uma mistura de nostalgia e indiferença.

"Bem... eu realmente voltei, né?" murmurou para si mesmo, ajustando a alça da mochila. "Vamos ver o que mudou por aqui."

Ele não esperou por ninguém. Não havia ninguém esperando por ele. Para a Coreia, ele era apenas um registro de entrada; para si mesmo, era um espectador retornando ao palco.

Seguindo o fluxo familiar, ele se dirigiu para a estação AREX. O trem expresso era a veia que conectava aquele isolamento insular ao centro pulsante de Seul. Myeong-dong era seu destino — uma viagem de uma hora e quarenta e cinco minutos que seria um tédio para a maioria, mas para Cheon, era o tempo perfeito para sua atividade favorita.

Assim que se acomodou no assento acolchoado e o trem começou a deslizar suavemente sobre os trilhos, o mundo exterior desapareceu. Cheon pegou seu smartphone. A luz azul da tela refletiu em seus olhos enquanto ele acessava o site que havia sido seu refúgio por anos.

O login automático exibiu: **[Usuário: Cheon]**.

Ele não acessou as redes sociais nem as notícias locais. Abriu o marcador do livro que estava lendo: *"Muito Além de Nós"*.

Para qualquer pessoa sã, aquela webnovel foi um desastre literário. O enredo era um emaranhado caótico de mitologias esquecidas, lendas, zumbis alienígenas, monstros de outra dimensão, deuses antigos, demônios cibernéticos e diálogos que beiravam o delírio. Muitos críticos nos comentários chamaram o autor, alguém chamado **Outsider9**, de "lunático" ou afirmaram que ele "escreveu sob a influência de substâncias questionáveis".

Mas Cheon viu algo mais. Ele gostava do bizarro. Havia uma lógica oculta naquelas palavras, uma estrutura que recompensava aqueles que tinham a paciência de ler além da superfície.

Uma hora passou num piscar de olhos. O trem cruzou a ponte sobre o mar, o sol de Seul começando a se pôr no horizonte, pintando a paisagem de um laranja doentio. Cheon finalmente suspirou, fechando a aba do capítulo 4.059.

"Quatro mil capítulos e o cara ainda consegue me surpreender com essas reviravoltas..." Cheon massageou a ponte do nariz. "Como alguém tem tanta criatividade e tempo livre para escrever algo assim? É quase um dom divino. Ou uma maldição."

Ele olhou para a página de informações da obra. O capítulo mais recente era o 5.102, lançado exatamente três meses atrás. Desde então, silêncio absoluto do autor no mundo das webnovels; um intervalo de três meses sem atualizações é sinônimo de morte ou desistência.

"Uma pausa de três meses, Outsider9..." Cheon olhou pela janela do trem. O reflexo de seu rosto no vidro parecia cansado. "Você realmente vai nos deixar na mão bem na hora em que o 'Modo de Calibração' ia ser ativado? Que azar."

Cheon desligou a tela, sentindo o leve calor do aparelho nas palmas das mãos. Decidiu que já tinha lido o suficiente por hoje. Encostou a cabeça no vidro da janela, observando os prédios de Incheon darem lugar a paisagens urbanas mais densas enquanto o trem AREX avançava em direção ao coração de Seul.

Sua mente, no entanto, viajou para além do trem.

Ele refletiu sobre a ironia da própria vida. Seus pais eram europeus e decidiram que a Coreia do Sul seria o lugar perfeito para uma "temporada de férias" quando ele tinha apenas doze anos. Cheon ainda se lembrava do choque inicial: as luzes excessivas, o idioma que soava como música tocada rápido demais para acompanhar e o fato de ser sempre o "estrangeiro" na sala de aula.

Foi nessa época que surgiu o nome "Cheon". Um apelido que começou quase como uma brincadeira entre colegas de classe e acabou se tornando sua identidade oficial naquela parte do mundo. Seus pais, imersos em projetos de engenharia e negócios, eventualmente adotaram o apelido também.

"Será que Min-ho e Ji-soo estão aprontando alguma coisa agora?", murmurou ele, com um leve sorriso irônico surgindo por um breve instante.

Eles eram os poucos que não o tratavam como um estranho. Foram eles que o apresentaram ao mundo dos PC Bangs, onde ele descobriu que ser geek era, na verdade, uma linguagem universal. Enquanto o mundo lá fora exigia notas perfeitas e carreiras estáveis, dentro das telas, ele podia ser quem quisesse.

O tempo passou e as responsabilidades separaram o grupo. Ele teve que partir, retornando à Europa para resolver questões familiares e de cidadania, e agora, anos depois, o ciclo se completou.

O toque do trem, suave e multilíngue, interrompeu seus pensamentos:

*"Próxima parada: Estação Myeong-dong."*

Cheon levantou-se, ajeitou seu sobretudo branco e esperou que as portas se abrissem. Ao sair da estação e subir as escadas em direção à superfície, deparou-se com a "Muralha de Seul".

Myeong-dong estava vivo.

Eram cerca de seis da tarde. O sol estava se pondo e as luzes de néon começavam a ganhar intensidade, pintando o asfalto de rosa, azul e verde. O cheiro da comida de rua era inebriante: o aroma doce do *Hotteok* (panquecas recheadas) se misturava com o cheiro saboroso do *Tteokbokki* e do frango frito coreano.

Ele caminhava calmamente pela rua principal, observando a multidão de turistas e moradores locais. Passou por uma enorme loja de departamentos onde uma tela exibia o trailer de um novo filme de super-heróis. Mais adiante, uma vitrine repleta de bonecos de ação de animes famosos o fez parar por alguns segundos.

*Nada mudou. E ao mesmo tempo, tudo parece diferente*, pensou ele.

Ele parou em frente a uma barraca que vendia caudas de lagosta grelhadas com queijo, um clássico turístico da região. O vendedor, um homem de meia-idade com um avental impecável, trabalhava com uma agilidade quase mecânica.

Cheon olhou para o céu. Por um instante, teve uma sensação estranha. Era como se estivesse olhando para um cenário de filme onde o diretor estava prestes a gritar "Ação!". Ele sentira falta da Coreia, mas agora que estava ali, sentia como se estivesse esperando por algo. Como se a paz daquela tarde em Myeong-dong fosse apenas uma página em branco antes do início de um prólogo violento.

Ele enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo e continuou caminhando, misturando-se à multidão de Myeong-dong, sem saber que aquele seria o último dia em que o mundo faria sentido para as pessoas ao seu redor.

Myeong-dong ainda brilhava sob as luzes de néon quando Cheon decidiu que era hora de ir embora. O cansaço da viagem, somado ao peso das lembranças que a cidade despertava nele, começava a cobrar seu preço. Ele caminhou mais alguns quarteirões até um prédio residencial moderno, porém discreto — sua nova base na Coreia.

Seus pais haviam cuidado de tudo. O apartamento era funcional: paredes cinzentas, mobília minimalista e uma vista que emoldurava os telhados de Seul entre os prédios vizinhos. Ele jogou a mochila no sofá de couro sintético e soltou um longo suspiro.

"Lar, eu acho."

Sem energia para desfazer as malas, ele simplesmente tirou o sobretudo branco, conectou o celular ao criado-mudo para carregar e se jogou na cama. O silêncio do apartamento contrastava totalmente com o caos vibrante das ruas de Myeong-dong. Não demorou muito para que o cansaço o vencesse.

A escuridão não era o fim.

Cheon abriu os olhos, mas não estava mais em seu quarto. Ele flutuava em um vazio absoluto, onde não havia cima, baixo, norte ou sul. Era um vácuo silencioso, desprovido de cor ou som, exceto por uma coisa.

Diante dele, gigantesca e pulsante com uma luz azul-metálica, havia uma tela translúcida. Ela ocupava todo o seu campo de visão, emitindo um zumbido de baixa frequência que ele podia sentir nos dentes.

No centro da tela, números colossais faziam a contagem regressiva em um ritmo implacável:

> **[00:00:00:05:42]**

> **[00:00:00:05:41]**

> **[00:00:00:05:40]**

Cheon observou os números mudarem. Ele não sentiu medo. Na verdade, sentiu uma irritante sensação de familiaridade.

"Isso de novo..." ele sussurrou, sua voz soando estranhamente clara no vácuo.

Ele já estivera ali antes. Meses atrás, anos atrás... em noites raras, esse sonho o visitava. Na época, ele simplesmente atribuía isso ao seu excesso de leitura. "É o que acontece quando se assiste a tantos isekai genéricos", dizia a si mesmo pela manhã, rindo da própria mente nerd. Pensava que era apenas seu subconsciente tentando criar seu próprio cenário de fantasia.

Mas agora, o sonho parecia... muito real. A resolução da tela era nítida; as partículas de luz flutuando ao redor da contagem regressiva pareciam ter peso.

Desta vez, porém, algo era diferente. Abaixo do cronômetro, uma pequena linha de texto que ele nunca tinha visto antes começou a se materializar, como se estivesse sendo digitada por uma mão invisível:

> **[Usuário 'Cheon' detectado na sincronização.]**

**Tempo de espera limitado, dependendo da proximidade do autor.**

"Proximidade do autor?" Cheon tentou tocar a tela, mas seus dedos atravessaram a luz fria.

Os números aumentaram. O azul da tela começou a vazar para o vazio, tingindo a escuridão com um tom elétrico.

> **[00:00:00:00:03]**

> **[00:00:00:00:02]**

> **[00:00:00:00:01]**

> **[00:00:00:00:00]*

O zumbido cessou. O silêncio que se seguiu foi absoluto, pesado como chumbo. Então, uma voz que não era humana, mas soava como mil sugestões digitais sobrepostas, ecoou pelo vazio:

**[O hiato de 'Far Beyond Us' chegou ao fim.]**

**[Capítulo 1: Cenário Inicial nº 1 — 'Bem-vindo ao Palco' começou.]**

O jogo havia começado. E ele era o único que já tinha lido o tutorial.