Ficool

Chapter 5 - Fate convocando Kratos como Berserk

O calor da floresta voltou de uma vez só

Ele conhecia aquela sensação de esvaziamento. Era o preço de se manter vivo no mundo dos mortais sem a permissão dos céus.

Atrás dele, os passos de Archer, Saber e Rin eram discretos, mas constantes. Eles não o seguiam para lutar; seguiam porque, naquele momento, o espartano era o único ponto cardeal em uma bússola que havia quebrado.

De repente, o vento parou. Não o silêncio pacífico de antes, mas uma ausência completa de som que fez as folhas pararem de balançar no meio do ar. Um cheiro forte e sufocante de ferro velho, ferrugem e sangue coagulado tomou conta da clareira.

Kratos parou o passo. Sua mão desceu instintivamente para o cabo do machado.

A terra no centro da floresta não rachou; ela simplesmente começou a se liquefazer em uma lama preta e borbulhante, muito mais densa do que a que Kirei havia invocado. Daquela poça escura, algo começou a emergir. Não era um Servo. Não tinha a dignidade de um Espírito Heroico ou a forma antropomórfica de um monstro mitológico.

Era uma **Besta** (*Beast*), uma das Calamidades da Humanidade, manifestada pela própria corrupção do Graal que Kratos havia estilhaçado com seu gelo.

A criatura parecia um emaranhado de carne viva, engrenagens retorcidas de relógios antigos e milhares de lâminas cegas que choravam um líquido negro. No centro daquela massa disforme, um imenso olho dourado e vítreo se abriu, fixando-se diretamente em Kratos. O som que emanava dela não era um rugido, mas o som de mil vozes humanas gritando de agonia ao mesmo tempo — o lamento de todas as almas que o Graal já havia consumido ao longo das décadas.

"Mas que porra é essa?!", Rin gritou, dando três passos para trás, instintivamente cobrindo o nariz por causa do cheiro de podridão. Suas pernas fraquejaram. O peso daquela presença era opressor de um jeito diferente; não vinha da força física, mas de um desespero conceitual. Era o próprio conceito do fim da humanidade tomando forma.

Archer imediatamente se colocou à frente de Rin, projetando suas duas espadas curtas, *Kanshou e Bakuya*, embora suas mãos estivessem suando frio. "Rin, mexa-se. Agora! Isso não é algo que magos ou Servos devam enfrentar. É uma Besta de Alaya."

Saber deu um passo à frente, a Excalibur brilhando debilmente. "A energia... está drenando a minha própria existência só de olhar para ela."

A criatura se esticou, chicoteando tentáculos feitos de correntes enferrujadas e carne em direção ao grupo.

Antes que as correntes pudessem tocar em Saber ou Rin, Kratos se colocou na frente delas. Ele não usou o machado. Ele estendeu o braço esquerdo e abriu o **Escudo Guardião**. O impacto do tentáculo contra o escudo de bronze emitiu um som seco, como um osso se partindo. A força do golpe empurrou Kratos para trás, seus pés afundando na lama preta.

Ele sentiu o gosto de sangue na boca. Sua conexão com o mundo estava fraca demais. A Besta percebeu isso; o olho dourado brilhou com um vislumbre de escárnio. As mil vozes mudaram de tom, ecoando na mente de Kratos:

*"Você está vazio, matador. Não há Mestre para te segurar aqui. Você é apenas uma memória morrendo em uma terra estranha."*

Kratos cuspiu o sangue no chão texturizado de lama. Ele olhou de soslaio para Saber e Archer. Os dois heróis lendários estavam paralisados pelo terror conceitual que a Besta emanava. Kratos conhecia aquele olhar nos olhos de guerreiros. Era o olhar de quem percebe que suas armas e seus ideais não significam nada diante de um cataclismo.

Um suspiro profundo saiu do peito do espartano. Ele soltou o cabo do Machado Leviatã, deixando-o desaparecer em partículas rúnicas.

**"Vocês dois"**, Kratos falou, sem olhar para trás. A voz era baixa, áspera, terrivelmente humana. **"Tirem a garota daqui."**

"O quê?", Rin exclamou, limpando o suor da testa. "Você vai lutar com isso sozinho? Você está desaparecendo!"

**"Eu já enfrentei o destino quando ele tinha rostos e nomes"**, Kratos disse, levando as duas mãos lentamente às costas, onde os punhos das *Lâminas do Caos* o esperavam, frios e familiares. **"Isso aí... é apenas o resto do lixo que os homens deixam para trás."**

Com um puxão firme, as lâminas serrilhadas saíram das bainhas. O fogo que brotou delas não era mais o vermelho brilhante e divino de sua juventude, nem o azul controlado de sua maturidade nórdica. Era um fogo denso, de uma cor laranja escura, quase cinzenta — o fogo de um homem que aceitava que sua essência era feita de cicatrizes.

As correntes fundidas aos seus antebraços arderam em brasa, queimando a pele pálida de Kratos. Ele soltou um gemido curto de dor, um som puramente humano de sofrimento físico, antes de firmar os pés na lama.

"Archer", Saber disse, a voz trêmula, mas firme. "Tire a Rin. Agora."

"Saber, você não pode—"

"Eu sou o Rei dos Cavaleiros, Archer! Não vou dar as costas a um guerreiro que está lutando para que nós possamos respirar!", Saber rugiu, sua dignidade superando o medo conceitual. Ela correu para o lado de Kratos, a Excalibur brilhando com a pouca mana que lhe restava.

Kratos olhou de soslaio para a loira de armadura. Ela mal chegava ao seu peito, mas a determinação nos olhos verdes dela lembrava os generais mais obstinados que ele já havia comandado em Esparta.

Ele não disse obrigado. Não havia tempo para isso.

**"Não tente cortar a carne"**, Kratos instruiu, o olhar fixo no imenso olho dourado da Besta que se preparava para um novo ataque. **"Corte o que move a engrenagem. Eu abro o caminho. Você finaliza."**

Saber assentiu com a cabeça, firmando a pegada na espada. "Entendido."

A Besta avançou, uma onda de carne e metal retorcido desabando sobre eles como uma tsunami. Kratos deu um passo à frente, girando as correntes. O som do metal cortando o ar misturou-se ao estalar do fogo. Pela primeira vez naquela noite, o Fantasma de Esparta não lutava por vingança, nem por sobrevivência. Lutava simplesmente porque havia algo que precisava ser parado, e ele era o único homem no lugar capaz de aguentar o golpe.

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