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Chapter 9 - Fate convocando Kratos como Berserk

O som do primeiro elo de Alaya se partindo não foi um estalo metálico, mas um trovão seco que reverberou diretamente no cerne conceitual de Fuyuki. Quando a corrente negra que prendia o ombro esquerdo de Kratos se estilhaçou em poeira geométrica, o fluxo de causa e efeito daquela linha temporal sofreu uma torção irreversível. O tempo, que o mecanismo de defesa da humanidade havia congelado para realizar o expurgo, começou a vazar pelas frestas das rachaduras espaciais como uma represa rompida.

A resistência física de Kratos havia cruzado a fronteira do impossível, tocando o limite absoluto do que a fórmula do Santo Graal conseguia conter sem colapsar. Ao forçar sua musculatura contra o peso cumulativo da vontade de sobrevivência da humanidade, o espartano não estava apenas quebrando correntes; ele estava forçando dois paradoxos históricos a coexistirem no mesmo ponto cardeal. De um lado, Gilgamesh mantinha Ea erguida, uma arma que continha a verdade do início do mundo antes da fundação da humanidade; do outro, Kratos manifestava a força que obliterara um panteão inteiro, uma negação viva da autoridade conceitual dos mitos.

Entre os dois, Alaya tentava esmagar ambos. O resultado dessa compressão tripla não foi a aniquilação, mas o nascimento de uma **Singularidade**.

O asfalto sob os pés de Kratos cedeu, não para revelar a terra ou as tubulações da cidade, mas para abrir um abismo de estática cinzenta e linhas de código numéricas que piscavam de forma errática. A gravidade inverteu-se no distrito residencial de Miyama. Os fragmentos de postes de luz, os tijolos dos muros destruídos e os carros abandonados começaram a flutuar lentamente em direção ao céu, que agora se contorcia em um rodamoinho de nuvens roxas e douradas. Fuyuki estava se descolando da linha do tempo oficial do ano de 2004, transformando-se em um bolsão de espaço-tempo isolado, um território sem dono onde a história humana não conseguia mais ditar as regras.

"Romani! O que está acontecendo com o gráfico de flutuação cósmica?!", a voz de Fujimaru Ritsuka saiu rasgada, o jovem Mestre segurando-se à base do escudo de Mash enquanto suas pernas eram puxadas para o alto pelo campo gravitacional distorcido.

"É o pior cenário possível, Ritsuka!", a imagem holográfica do Dr. Roman no pulso do Mestre piscava violentamente, a estática quase apagando suas feições. "A colisão entre a ordem de Alaya, a *Enuma Elish* e a anomalia do Berserker gerou um colapso gravitacional de Mistério! Fuyuki acabou de se isolar do canal temporal estável! O Trono dos Heróis perdeu o sinal dos Servos locais... Vocês estão dentro de uma Singularidade autocontida! Se o núcleo desse paradoxo não for destruído, a cidade inteira vai se transformar em um buraco negro de informação que vai devorar as eras adjacentes!"

A poucos metros Dali, os Contraguardiões sem rosto de Alaya começaram a se dissolver. Seus corpos de sombra e fumaça de pólvora não conseguiam manter a integridade física dentro de uma Singularidade, pois sua própria existência dependia da estabilidade da história que agora estava rompida. Até mesmo Archer, cujo corpo fora sequestrado pelo sistema, caiu de joelhos na lama seca, a consciência retornando aos seus olhos cinzentos enquanto o controle mecânico do mundo evaporava.

"Rin...", Archer tossiu, o sangue escuro manchando o chão que agora flutuava em pedaços. "O contrato com o mundo... quebrou. Alaya perdeu a jurisdição aqui."

Gilgamesh, livre das amarras negras que o prendiam, flutuava no centro do vórtice dourado. O fulgor vermelho de suas marcas corporais tornou-se ainda mais denso, alimentando-se da própria mana caótica que a Singularidade jorrava. Ele olhou para baixo, observando Kratos erguer-se completamente, o Machado Leviatã voando de volta para sua mão direita enquanto as Lâminas do Caos arrastavam suas correntes fumegantes ao redor de seus pés.

"Uma Singularidade...", Gilgamesh pronunciou, o tom de voz misturando uma solenidade terrível com o primeiro vislumbre de um respeito genuíno. "Você arrancou esta terra das mãos do próprio tempo, criatura de cinzas. Você destruiu a ordem dos homens apenas para não ser subjugado."

Kratos bateu o cabo do Machado Leviatã contra o asfalto flutuante. A onda de choque congelou os detritos que orbitavam ao seu redor, criando uma plataforma estática de gelo e pedra no meio do abismo gravitacional. Ele olhou para o Rei dos Heróis, os olhos dourados brilhando através da fumaça de sua própria carne que se regenerava com a mana caótica da Singularidade.

**"Os deuses do meu mundo tentaram trancar o horizonte em caixas e correntes"**, Kratos disse, a voz ecoando pelo vazio da Singularidade como o som de placas tectônicas se movendo. **"Eles falharam. O seu mundo cometeu o mesmo erro. Eu não procuro a destruição desta terra, rei... mas se para proteger aqueles que lutam eu tiver que rasgar o seu tempo, que assim seja."**

O espartano estendeu os dois braços. O gelo de Helheim correu pela lâmina do Leviatã à direita, enquanto o fogo do Tártaro subiu pelas correntes das Lâminas do Caos à esquerda. As duas energias mitológicas, livres da opressão de Alaya, começaram a se fundir ao redor do corpo de Kratos, criando uma aura de tempestade bicolor — um crepúsculo de fogo e gelo que começou a estabilizar a Singularidade ao redor de sua própria vontade.

Ele não era mais apenas um Servo sustentado pela Caldeia. Dentro daquele território sem tempo, Kratos havia se tornado o **Ancoramento da Singularidade**. O próprio ponto focal que impedia o paradoxo de colapsar sobre os mortais.

"Então que este seja o palco do nosso fim, deuses ou homens!", Gilgamesh rugiu, aceitando o destino com a imponência de quem fundou a primeira dinastia. Ele apontou Ea diretamente para o peito de Kratos, os três cilindros girando em uma velocidade que começou a rasgar o próprio vácuo da Singularidade. *"Venha, Fantasma de Esparta! Deixe-me ver se o seu mito consegue suportar o peso da primeira manhã do mundo!"*

Kratos flexionou os joelhos, os olhos fixos no Rei dos Heróis. Ele deu o primeiro passo à frente, iniciando a marcha final no meio do colapso da realidade.

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