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Chapter 7 - Fate convocando Kratos como Berserk

A aurora que rompeu sobre Fuyuki não trouxe o calor do sol, mas uma claridade pálida e doentia que expunha as cicatrizes da cidade. O céu, matizado em tons de cinza e violeta, parecia uma abóbada de metal escovado. O grupo avançava pelas ruas desertas do distrito residencial de Miyama em um silêncio quase fúnebre. À frente, o vulto massivo de Kratos abria caminho, os passos pesados deixando marcas profundas no asfalto úmido. Ao seu lado, Fujimaru Ritsuka mantinha os dentes cerrados, a testa franzida pelo esforço de canalizar o fluxo contínuo de mana através do sistema de Rayshift da Caldeia. As linhas de seu circuito mágico brilhavam debilmente sob a pele do braço, uma rede azulada que pulsava no ritmo do coração do jovem Mestre.

Rin Tohsaka e Saber vinham logo atrás, os olhos atentos a cada beco, a cada ondulação na atmosfera. O ar estava saturado; as linhas ley da cidade não estavam apenas distorcidas, estavam sangrando. A destruição da Besta na floresta de Einzbern precipitou o colapso do ritual. O Grande Graal, escondido nas entranhas do Monte Enzou, nas profundezas do Templo Ryuudou, estava chamando seus remanescentes.

"O fluxo de mana está convergindo para a montanha", Rin quebrou o silêncio, a voz rouca pela exaustão. Ela segurava um compasso de latão cujos ponteiros giravam loucamente. "Kirei não está mais tentando esconder o ritual. Ele abriu os portões. O que quer que esteja lá dentro, está digerindo a própria realidade de Fuyuki para se manifestar."

**"Deixe que chame"**, Kratos proferiu sem desacelerar. O Machado Leviatã estava preso às suas costas, a lâmina rúnica emitindo um estalo frio e seco a cada poucos segundos, como se contestasse a umidade abafada da manhã. **"Deuses e monstros sempre clamam por solo sagrado antes de caírem. Não muda nada."**

"Muda o nível de perigo, Berserker", Archer (EMIYA) materializou-se no topo de um muro de pedra baixo, os olhos cinzentos fixos no cume do Monte Enzou, que agora era coroado por uma nuvem de tempestade estática e escura. "O supervisor da igreja não é mais o único problema. O Rei dos Heróis moveu-se. Ele não está mais guardando o altar; ele se tornou o altar."

Antes que Rin pudesse questionar o que o arqueiro queria dizer, o espaço acima deles estremeceu.

Não foi uma distorção sutil, mas um rasgo geométrico no tecido do céu. Uma pressão gravitacional absurda desabou sobre o grupo, forçando Ritsuka e Rin a caírem de joelhos, o ar sendo expulso de seus pulmões de uma só vez. Mash Kyrielight imediatamente posicionou-se à frente de seu Mestre, cravando o escudo no asfalto, que rachou como vidro sob o peso da mera presença que se aproximava.

Do alto do céu cinzento, descendo não em uma carruagem ou por asas, mas flutuando sobre a própria fundação do mundo, surgiu o Grande Servo.

Não era Gilgamesh em sua armadura de ouro reluzente, nem o rei arrogante que Kratos encontrara na igreja. A lama do Graal e a proximidade com o colapso conceitual haviam tocado o Rei dos Heróis, mas ele não fora corrompido; ele havia ascendido. Ele manifestava-se agora em sua forma mais primordial e terrível, o ápice do Trono dos Heróis: **Gilgamesh, o Protótipo da Humanidade**, envolto em uma aura de fulgor divino que queimava os olhos de quem tentasse encará-lo diretamente. Os cabelos dourados estavam caídos sobre a testa, os olhos carmesim brilhavam com a lucidez fria de um juiz cosmológico, e marcas vermelhas, semelhantes às tatuagens de Kratos mas feitas de pura energia mágica concentrada, cobriam seus braços e peitoral nu.

Em sua mão direita, ele não segurava uma espada comum. Ele empunhava a arma de separação, a espada conceitual que existia antes do próprio conceito de "espada" ser criado: **Ea, a Estrela da Criação que Divide o Céu e a Terra** (*Enuma Elish*). Os três segmentos cilíndricos de metal negro da arma começaram a girar em direções opostas, gerando um som agudo, um atrito que não vinha do vento, mas do espaço sendo moído.

"Olhe para você, criatura de cinzas", a voz de Gilgamesh não continha mais o tom escarninho de antes; era um estrondo solene, imbuído com o peso de uma civilização inteira. "Você andou por este mundo quebrando suas leis, congelando suas dores, achando que seu ódio pessoal era o bastante para desafiar a fundação da história humana. Você é uma anomalia que o Trono rejeita. Um deus menor de um panteão morto, rastejando no meu jardim."

Atrás do Rei dos Heróis, o céu não se abriu em dezenas de portais dourados, mas em um único e imenso abismo dourado que cobria o horizonte de Fuyuki. A **Gate of Babylon** expandira-se ao seu limite absoluto. Dentro do abismo, as silhuetas de milhares de armas divinas primordiais — lanças que ditaram o destino de nações, escudos que pararam cataclismos — vibravam, prontas para o disparo.

Kratos parou. Ele olhou para cima, o olhar cruzando com o do Grande Servo. A mana fornecida pela Caldeia correu por seus braços, fazendo a tatuagem vermelha em sua pele pálida brilhar com um fulgor escuro. Ele não sacou o machado, nem as lâminas. Ele simplesmente esticou os dedos, relaxando os ombros, adotando a postura de um homem que já havia visto o céu desabar sobre sua cabeça e continuara de pé.

**"Você fala muito de seu jardim, rei"**, Kratos disse, a voz saindo tão calma quanto o gelo profunda de um lago nórdico. **"Mas eu só vejo um homem assustado, agarrado a um pedaço de metal preto, tentando provar a si mesmo que ainda é relevante."**

"Insolente", Gilgamesh pronunciou, e o primeiro segmento de Ea girou com mais velocidade, liberando uma lufada de vento vermelho que desintegrou os postes de luz da rua instantaneamente. "Eu sou aquele que mediu a terra e o céu. Eu sou o limite da humanidade. Diante de mim, até mesmo os deuses de sua terra natal ajoelharam-se para receber o julgamento. Sua existência termina aqui."

"Master!", Mash gritou, a armadura cinzenta emitindo faíscas devido à estática gerada por Ea. "A saída de energia daquela arma... está além de qualquer coisa registrada nos arquivos da Caldeia! É uma leitura de nível Divino... não, está além disso! É uma textura de colapso planetário!"

Ritsuka, mesmo com os joelhos cravados no asfalto e a pele do rosto ardendo pelo calor da energia residual, levantou os olhos para Kratos. "Berserker... você consegue?"

Kratos não olhou para trás. Ele levou a mão direita ao ombro esquerdo, soltando a tira de couro que prendia o Machado Leviatã. Deixou a arma rúnica cair no asfalto, onde ela fincou-se verticalmente, espalhando uma geada sutil que tentava proteger o chão sob os pés de Ritsuka e Mash. Em seguida, suas duas mãos desceram para as coxas, tocando os cabos das *Lâminas do Caos*.

As correntes em seus antebraços não acenderam em fogo imediatamente. Elas começaram a pulsar com uma luz escura, a mesma energia que ele usara para rasgar as entranhas do submundo grego. Ele aceitava o desafio do Rei dos Heróis não como o protetor dos Nove Reinos, mas como o homem que havia sido moldado pela guerra absoluta.

**"Garoto"**, Kratos falou para Ritsuka, os olhos fixos em Gilgamesh. **"Mantenha os olhos abertos. E não desvie o olhar."**

Com um puxão seco, as Lâminas do Caos foram sacadas. O fogo infernal irrompeu, não para cima, mas rastejando pelo asfalto, derretendo a geada e transformando a rua em um corredor de chamas e fumaça escura. Kratos flexionou os joelhos, os músculos das costas se contraindo como cabos de aço sob a pele pálida.

No céu, Gilgamesh ergueu Ea. Os três cilindros negros atingiram a velocidade máxima. O espaço ao redor da arma começou a se fragmentar em cubos pretos e vermelhos — o sinal de que a realidade estava sendo desfeita em seus componentes mais básicos.

"Testemunhe a verdade do princípio!", Gilgamesh proclamou, a voz ecoando por toda a península de Fuyuki. *"ENUMA... ELISH!"*

O vento do apocalipse desceu do céu, uma torrente de energia vermelha e preta que engoliu a luz da manhã, marchando na direção do grupo com o único propósito de apagar sua existência da história.

Kratos soltou um rugido que abafou o som da destruição espacial e avançou de e

ncontro ao fim do mundo.

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