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Chapter 11 - Fate convocando Kratos como Berserk

O clarão branco que se seguiu à colisão das duas forças primordiais não trouxe a dor da desintegração, mas o peso sufocante de um silêncio absoluto. Por um instante eterno, o conceito de existência foi reduzido a um único ponto de tensão, onde o início e o fim de dois mundos distintos se anularam mutualmente. A *Enuma Elish* de Gilgamesh e a fúria apocalíptica de Kratos agiram como duas engrenagens de proporções cósmicas travando uma à outra; o poder destrutivo de ambas foi tão absoluto que curvou a Singularidade para dentro de si mesma, implodindo o bolsão de espaço-tempo isolado antes que ele pudesse devorar o resto da história humana.

Então, veio a queda. Uma sensação de despencar através de infinitas camadas de névoa e códigos numéricos desfeitos.

O cheiro de ozônio, cinzas e sangue evaporou de súbito, substituído pelo aroma adocicado de grama molhada e o frescor de uma brisa marítima que não pertencia ao inverno artificial de Fuyuki. O som do vento cortando as árvores substituiu o zumbido mecânico de Alaya.

Fujimaru Ritsuka abriu os olhos abruptamente, puxando o ar para os pulmões como se tivesse acabado de emergir de um mergulho profundo. O asfalto flutuante sumira. Suas mãos estavam cravadas em um solo gramado e firme, salpicado por pequenas flores silvestres. Ao seu lado, Mash Kyrielight apoiava-se pesadamente em seu grande escudo, a armadura cinzenta emitindo pequenos estalos de resfriamento, mas completamente intacta. Os circuitos mágicos no braço do Mestre, antes em carne viva devido ao esforço do Rayshift, haviam silenciado; a queimação cessara, deixando apenas uma pulsação rítmica e saudável.

"Master... você está bem?", Mash perguntou, a voz trêmula pela desorientação espacial. Ela olhou ao redor, os olhos arregalados. "As leituras de energia divina... desapareceram. O contador de radiação mágica voltou a zero."

Rin Tohsaka estava caída a poucos metros dali, sentada sobre as saias de seu uniforme, limpando a poeira do rosto com o dorso da mão. Seus olhos varreram o horizonte e pararam, estupefatos. Archer e Saber materializaram-se logo atrás dela, ambos em suas formas padrão de Servos, com suas armaduras reluzentes e sem qualquer vestígio do desgaste conceitual que quase os apagara da existência.

Eles não estavam em Fuyuki.

A cidade de Miyama, o Monte Enzou e o Templo Ryuudou haviam desaparecido. O grupo encontrava-se no topo de uma colina verdejante que declinava suavemente em direção a uma vasta planície costeira. Ao longe, sob um céu azul-turquesa pontilhado por nuvens brancas e pacíficas, erguia-se uma imensa e magnífica pólis de mármore branco. Suas colunas cintilavam sob a luz de um sol brilhante e caloroso, e grandes navios com velas quadradas navegavam por um mar de águas cristalinas. O horizonte era coroado não por nuvens de tempestade estática, mas pela silhueta imponente de uma montanha majestosa, cujos picos tocavam o céu sem a opressão de outrora.

"O que... que lugar é este?", Rin balbuciou, levantando-se lentamente. O compasso de latão em sua mão estava estático, apontando firmemente para o norte geográfico, sem qualquer flutuação de mana. "Isso não é Fuyuki. Não é o ano de 2004. A textura desta realidade... é antiga, mas está perfeitamente estável."

"O Rayshift foi abortado e redirecionado pelo próprio colapso", a voz do Dr. Roman cortou o silêncio através do comunicador de Ritsuka, agora com um sinal limpo e cristalino, livre de interferências. "Ritsuka! Mash! Vocês conseguem me ouvir? Os sistemas da Caldeia acabaram de recalibrar. Vocês não foram apagados. A implosão da Singularidade de Fuyuki agiu como uma lente gravitacional. Em vez de retornarem para a Caldeia, a energia liberada empurrou vocês através do tecido dimensional para uma linha temporal alternativa estável... Uma realidade paralela onde o Grande Graal nunca foi construído."

"Uma linha temporal alternativa?", Ritsuka repetiu, tentando processar a informação enquanto se levantava.

"Sim", explicou Roman, o tom de voz misturando alívio e fascínio acadêmico. "Alaya conseguiu reestabelecer o controle da história humana ao isolar o paradoxo, mas para salvar as variáveis vivas — vocês —, o sistema jogou o excesso de energia para uma coordenada vaga. Vocês estão no que a Caldeia chama de *Lostbelt* ou Textura Alternativa de Convergência Histórica. Aqui, a Grécia Antiga e a Mesopotâmia não decairam da forma que conhecemos. É um mundo onde os mitos e os homens encontraram um equilíbrio diferente."

A poucos metros do grupo de Caldeia, o silêncio foi quebrado pelo som de passos na grama.

Gilgamesh estava de pé sob a sombra de uma grande oliveira. Ele não exibia mais as marcas vermelhas divinas da forma primordial, nem a armadura dourada que usara durante a Guerra do Graal. Ele vestia uma túnica simples de linho branco com detalhes em fios de ouro, típica de um monarca em tempos de paz, e trazia os cabelos dourados soltos ao vento. Ea não estava em suas mãos; a Estrela da Criação retornara ao seu cofre profundo. O Rei dos Heróis observava a cidade de mármore ao longe com um olhar sereno, quase contemplativo.

"Então, o mundo nos deu um jardim diferente para contemplar", Gilgamesh disse, sem se virar para o grupo. Sua voz perdera o estrondo de julgamento cósmico, retornando ao tom melodioso e altivo de um rei que conhece o próprio valor, mas que já não precisa prová-lo através da destruição. "Uma realidade onde as fundações não foram corrompidas pela lama de um cálice ocidental. Um desfecho aceitável para o término de uma disputa insolúvel."

Ele finalmente virou o rosto, os olhos carmesim fixando-se no lado oposto da colina.

Lá, afastado do grupo, Kratos estava sentado sobre uma rocha de mármore que emergia do solo. O Deus da Guerra original sumira, deixando em seu lugar o homem dos Nove Reinos. Sua pele pálida cinzenta estava limpa das queimaduras conceituais; a tatuagem vermelha brilhava de forma tênue e natural sob o sol quente. O Machado Leviatã estava fincado na terra ao seu lado, a lâmina rúnica emitindo uma geada mansa que derretia rapidamente sob o calor do novo mundo, transformando-se em orvalho sobre as flores silvestres. As Lâminas do Caos estavam recolhidas, as correntes enroladas firmemente em seus antebraços, sem emitir o fogo do Tártaro.

Kratos olhava para as próprias mãos, abrindo e fechando os dedos, sentindo a estabilidade daquela nova realidade. O peso opressivo de Alaya evaporara; as vozes dos mortos que o atormentavam na Singularidade haviam silenciado. O mundo ao seu redor não o rejeitava como uma anomalia; ele o aceitava como parte daquela nova tapeçaria onde os mitos ainda tinham direito de respirar.

Ele ergueu os olhos e cruzou o olhar com Gilgamesh. Não havia intenção de matar em nenhum dos dois lados. O choque de suas existências originais na Singularidade havia esvaziado o cálice do ódio; o que restava era o reconhecimento silencioso de duas forças que haviam medido suas lendas e sobrevivido ao fim do tempo.

**"Este mundo..."**, Kratos proferiu, a voz profunda quebrando a brisa da colina, **"...está em paz."**

"Por enquanto, espartano", Gilgamesh respondeu, permitindo que um canto de seus lábios subisse em um sorriso sutil. "Os homens desta era ainda constroem seus muros e os deuses ainda observam de seus picos. Mas aqui, não há correntes invisíveis tentando nos apagar da história. Somos apenas o que escolhemos ser."

Saber aproximou-se de Ritsuka, mantendo os olhos fixos nos dois grandes guerreiros. "O conflito deles salvou esta realidade antes mesmo que ela soubesse que precisava ser salva. Ao colidirem, eles limparam o Mistério corrompido que Fuyuki carregava."

Ritsuka deu um passo à frente, olhando para Kratos e depois para Gilgamesh. A jornada na Singularidade de Fuyuki havia terminado, mas uma nova página se abria diante deles em uma terra que não conhecia o Graal, mas que agora abrigava o Rei da Mesopotâmia e o Fantasma de Esparta sob o mesmo sol.

"Berserker...", Ritsuka chamou suavemente.

Kratos levantou-se da rocha, segurando o cabo do Machado Leviatã com firmeza e colocando-o nas costas. Ele caminhou até o Mestre da Caldeia, parando ao seu lado. O gigante pálido olhou para o horizonte, para a grande pólis de mármore e para as águas calmas do mar.

**"O caminho à frente é desconhecido, garoto"**, Kratos disse, mantendo os olhos no novo mundo. **"Mas a terra está firme sob nossos pés. Isso é o bastante."**

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