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Chapter 15 - Capítulo: Tortas e Toques de Recolher

Parte 1: O Segredo do Menu (O Drama Familiar)

O clima na casa dos Hastings mudou na segunda metade do semestre. O cheiro constante de açúcar e baunilha que vinha da cozinha de Emi deu lugar a uma tensão silenciosa. Bruce, com sua inteligência aprimorada, notou os olhares preocupados que seus pais trocavam sobre a mesa de jantar e as planilhas financeiras que seu pai, William, revisava até altas horas.

Uma grande franquia de docerias gourmet, financiada por investidores agressivos, havia aberto uma filial a dois quarteirões da pequena confeitaria de Emi. Com preços artificialmente baixos para sufocar a concorrência local, eles estavam roubando os clientes que a mãe de Bruce levara anos para conquistar.

Naquela noite, Bruce esperou seus pais dormirem. Sentado na mesa da cozinha, ele ativou sua tecnomancia. Não precisou de computador; apenas estendeu a mão na direção do modem Wi-Fi da casa. Sua mente navegou pelas redes da cidade até encontrar os servidores da franquia concorrente.

Em menos de cinco minutos, processando os dados quarenta vezes mais rápido, ele descobriu a farsa: a franquia usava ingredientes artificiais de baixa qualidade e essências químicas proibidas para baratear os custos, mascarando tudo com uma identidade visual bonita.

No dia seguinte, Bruce acionou o trio no QG da casa de barcos.

— Chloe, preciso que você use um perfil fantasma para vazar os relatórios de vigilância sanitária e a lista de ingredientes reais dessa franquia nos blogs de culinária e fóruns de São Francisco — Bruce instruiu.

— Considere feito. Em duas horas, o algoritmo de engajamento vai fazer isso virar um escândalo local — Chloe respondeu, digitando com precisão.

— E eu? — James perguntou.

— James, seu pai conhece o crítico de gastronomia do San Francisco Chronicle, não conhece? Faça com que ele visite a confeitaria da minha mãe de forma anônima nesta sexta-feira.

O plano correu como um relógio. Enquanto a franquia concorrente lidava com uma crise de relações públicas na internet após as revelações de Chloe, o crítico de jonal visitou a loja de Emi. O resultado foi uma avaliação de cinco estrelas no domingo, elogiando a "autenticidade, os ingredientes orgânicos e o amor familiar" nos doces de Emi.

Naquela manhã, Bruce desceu as escadas e encontrou sua mãe chorando de alegria nos braços de William, olhando o jornal. Bruce apenas sorriu, pegou uma maçã e saiu para a escola. Ninguém precisava saber que o "Aparato" também salvava confeitarias de bairro.

Parte 2: O Baile de Outono (Rivalidade e Proteção)

Na Academia Hillcrest, o assunto da semana era o Baile de Outono. E, para o azar do trio, a calmaria social acabou.

Um aluno do terceiro ano chamado tyler — um herdeiro arrogante, rico e ala-armador do time de basquete — estava irritado com o espaço que James vinha ganhando no esporte. Para tentar atingir o grupo, Tyler decidiu usar uma tática baixa: começou a cercar Chloe nos corredores, desafiando James e tentando forçá-la a ser seu par no baile por pura provocação.

Na quinta-feira, antes da aula de química, Bruce e James viram Tyler e dois amigos bloquearem o armário de Chloe. Ela estava visivelmente desconfortável, abraçando seus livros contra o peito.

— Qual é, Zhang? É a sua chance de ir com o cara mais popular da escola. Vai preferir ficar com esses dois perdedores? — Tyler desdenhou, esticando o braço para apoiar na parede, prendendo-a.

James deu um passo à frente, os punhos cerrados, mas a mão de Bruce pousou em seu ombro. Com seus 1,85m e o corpo adaptável que exibia uma presença física esmagadora, Bruce passou por James. Seus olhos azuis estavam frios.

Quando Tyler sentiu a sombra de Bruce cobri-lo, ele olhou para cima. A diferença de tamanho e a postura intimidadora de Bruce fizeram o veterano engolir em seco.

— Ela disse não, Tyler — Bruce disse. A voz dele era calma, mas tinha um peso que fez os amigos de Tyler darem um passo para trás.

— Hastings... Não se mete. Isso é entre mim e a garota do computador — Tyler tentou manter a pose, mas sua voz falhou de leve.

Bruce deu um passo para mais perto. Usando sua inteligência aprimorada, ele se inclinou e sussurrou perto do ouvido de Tyler, alto o suficiente apenas para ele ouvir:

— Eu sei sobre a sua carteira de motorista falsa, Tyler. E sei que você bateu o sedã do seu pai no mês passado e culpou o jardineiro. Se você não tirar a mão desse armário em três segundos, todos os telefones da escola, incluindo o do diretor e o do seu pai, vão receber o vídeo da câmera de segurança do condomínio mostrando você no volante.

Tyler arregalou os olhos. O pânico empalideceu seu rosto. Ele olhou para Bruce como se estivesse encarando um demônio, não um colega de classe. Sem dizer uma única palavra, Tyler abaixou a mão, virou as costas e saiu apressado pelo corredor, puxando seus amigos.

Chloe soltou o ar que estava segurando e olhou para Bruce, as bochechas vermelhas, mas com um brilho de imensa gratidão nos olhos.

— Como você conseguiu esse vídeo? — James perguntou, rindo, impressionado.

— Tenho meus métodos — Bruce piscou, ajustando a alça da mochila. — Ninguém mexe com a nossa inteligência.

Na noite do baile, os três foram juntos. Sem casais externos, sem dramas fúteis. James passou metade da noite comendo os salgadinhos de graça e reclamando da música, enquanto Chloe e Bruce conversavam num canto, observando os outros adolescentes se preocupando com coisas pequenas.

Eles sabiam que aquela "normalidade" era um privilégio temporário. O ensino médio era apenas o ensaio. O mundo real ainda não estava pronto para o que eles se tornariam.

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