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Chapter 3 - Capítulo: O Primeiro Dia na Academia Hillcrest

— Já vou, mãe! — respondi, saltando da cama com uma agilidade que uma criança comum de seis anos definitivamente não teria.

Antes de descer, me olhei no espelho do banheiro. Os cabelos castanhos estavam bagunçados, mas os olhos azuis pareciam brilhar com uma intensidade quase elétrica. Meu corpo adaptável e o fator de cura garantiam que, mesmo sem puxar peso aos seis anos, eu já tinha uma postura impecável e uma disposição inabalável.

Desci as escadas correndo e encontrei a mesa da cozinha farta. O cheiro de panquecas americanas se misturava ao aroma do chá verde que minha mãe tanto gostava. Emi estava de avental, terminando de servir o suco, enquanto meu pai, William, lia o jornal e tomava café.

— Bom dia, Bruce! — meu pai sorriu, abaixando o jornal. — Animado para o primeiro dia de aula?

— Com certeza — respondi, subindo na cadeira.

Hoje não era um dia qualquer. Graças à minha inteligência aprimorada, eu havia gabaritado o teste de admissão da Academia Hillcrest, uma das escolas primárias de elite mais prestigiadas de São Francisco. Como a mensalidade era uma fortuna para o orçamento de classe média dos meus pais, minha nota garantiu uma bolsa de estudos parcial. O resto, eles pagariam com orgulho.

Para mim, a escola não seria um desafio acadêmico — afinal, com minha mente processando tudo quarenta vezes mais rápido, eu já dominava o currículo do ensino médio facilmente. O verdadeiro desafio seria social. Eu não queria ser um gênio isolado. Queria construir conexões reais, encontrar pessoas que estariam ao meu lado por anos a fio, formando o meu próprio "grupo".

— Coma tudo, querido — Emi disse, deixando um beijo no topo da minha cabeça. — Você precisa de energia para fazer novos amigos.

— Pode deixar, mãe. Vou encontrar os melhores.

Algumas horas depois, o carro do meu pai estacionou em frente aos portões de ferro da Hillcrest. O lugar parecia um castelo moderno, cercado por gramados impecáveis e carros de luxo deixando crianças uniformizadas.

Respirei fundo, ajeitei a mochila nas costas e me despedi do meu pai com um aceno. Ao cruzar o portão, ativei sutilmente minha inteligência aprimorada, mapeando o ambiente. Meus olhos captavam cada detalhe: os grupinhos já formados, os filhos de empresários esnobando seus brinquedos caros e os rostos perdidos dos novatos.

Eu não queria me enturmar com os valentões ou com os herdeiros mimados. Eu procurava por mentes brilhantes, pessoas leais, ou talvez aqueles que estivessem um pouco deslocados, assim como eu.

Na hora do recreio, caminhei pelo pátio segurando uma caixinha de suco. Foi quando vi uma movimentação perto dos bancos de carvalho. Duas crianças chamaram minha atenção por motivos completamente diferentes, mas que meu instinto dizia que seriam perfeitas para o que eu procurava.

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