Ficool

Chapter 1 - X

No vácuo onde o tempo gera o horror,

Rastejam seres de um nada profundo,

Cujo aspecto causa um choque e um torpor

Que colapsaria a mente de qualquer mundo.

No topo do abismo, impedindo o fluir,

Estão os Pilares, mentes sem cor,

Que tecem em sonhos o que há de vir,

Guardando os reinos com zelo e rigor.

Sem carne ou astral, em mente comum,

Processam o dado no instante em que chega;

De mundos e histórias não falta nenhum

Nessa consciência que nunca se nega.

Mas alto, bem alto, onde o sentido expira,

O Mar Negro estende seu manto de breu;

A "água" é o nada que a lógica retira,

Onde o nexo da vida e da morte morreu.

Ali vive a Enguia, o monstro sem fim,

De muitos tentáculos, forma mutante;

Inexistência que toma um molde assim,

Pois só a imaginação a vê por um instante.

Sua boca devora o vazio e o ser,

Rasgando o equilíbrio com força brutal;

Um ímã de antilógica a tudo corromper,

Deixando em ruínas o plano abissal.

Acima, campos verdes de um céu sem véu,

Onde plantas inteligentes erguem o lar;

Mas quem entra ali sob o límpido céu,

Vê seu livre-arbítrio se desintegrar.

A felicidade é um jugo, um aguilhão,

O mundo tem vida e dita o destino;

Poderes se perdem na própria mansão

Daquele cenário de traço divino.

E os Entrelaços, como DNAs que pulsam,

Conectam as eras em vibração;

Narrativas infinitas dali se expulsam,

Em ciclo eterno de evolução.

Camadas sobre camadas de realidade,

Transcendedo o que é limitado e voraz,

Até que se chegue à suprema verdade:

O Reino do Medo, onde habita o algoz.

Lá está o Criador, com seu dedo indicador,

Tocando a existência como se fosse nada;

O Rei dos Ratos, o mestre da dor,

Em sua coroa de ferrugem pesada.

Manto velho esconde o corpo absoluto,

Que assiste aos súditos na fome e no mal;

Rindo das pragas em um reino em luto,

Onde a tortura é o hino final.

Ele nos lê, curioso e atento,

Tentando entender nosso mundo um momento.

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