(NA: Olá a todos, espero estejam bem, mais um capítulo para vocês, espero que gostem e por favor deem o feedback, junto a críticas construtivas que ajudem a melhorar essa fanfic cada vez mais)
POV - Rafael McCall
Acordei ainda pensando sobre as mudanças em Alex, sei que posso estar apenas sendo paranóico, mas para um agente do FBI, acaba se tornando um costume.
Antes do acampamento, já no café da manhã percebi essas mudanças.
Ele sempre foi parecido comigo, mas não sei explicar, os olhos dele pareciam mais profundos, seu corpo levemente rígido, como se estivesse preocupado com algo, seu silêncio maior do que o habitual.
Melissa dizia que eu estava exagerando, e que são crianças, mas não consigo deixar de me preocupar.
No acampamento ele pareceu ter voltado ao normal, brincou o dia inteiro com Scott, e já de noite estava cansado, comeu bem, e seu corpo parecia relaxado.
Então chegou o dia seguinte...
A primeira coisa que percebi foi seu corpo tensionado, só que agora ao invés de preocupado, parecia assustado.
Seus olhos tinham olheiras incomuns, como se não tivesse dormido.
Ele disse apenas que dormiu mal, e que deve ser porque não se dá bem com a natureza.
Mas... eu não acredito muito nisso. Assenti deixando o assunto de lado por enquanto, mas depois irei falar melhor com ele.
Eu vi sua reação quando chegamos, o quão animado e energético estava, mesmo que a maior parte se deva a Scott que o puxou de um lado pro outro.
Mas ainda assim, estava como se sentisse em casa, e sei que ele é alguém que não sente medo facilmente.
Ugh... Alonguei meu corpo e me levantei para mais um dia, estava perdido novamente em meus pensamentos.
Após me arrumar, desci as escadas. Foi então que ouvi.
- Pai, podemos conversar? - Alex me perguntou com um olhar hesitante, seus ombros ainda tensos, mas menos do que no dia anterior.
POV - Narrador
- Claro, o que você precisa, filho? - Rafael respondeu com curiosidade, mas ainda observando as reações de seu filho para ver se notava mais alguma estranheza.
Alex respira profundamente, como se estivesse se preparando para falar algo grave.
- Na verdade... eu meio que queria pedir ao senhor para me ensinar sobre seu trabalho - seu corpo permanece rígido, esperando a reação do pai, mas ele precisava fazer aquilo, precisava crescer e melhorar para proteger sua família - Seu pai, sua mãe, Scott - e futuras pessoas que acabem se tornando importantes para ele.
Rafael observou o filho com curiosidade. Era estranho que uma criança fizesse uma pergunta assim.
Então decidiu tratar aquilo como uma brincadeira e analisá-lo por um momento, ficou em silêncio, pensando sobre a pergunta do filho. Então respondeu.
- Posso sim, mas... me diga Alex, por que essa curiosidade repentina? Você viu algo na floresta que despertou sua curiosidade? - Falou em tom brincalhão, mas ainda assim tentando descobrir algo, filtrando como é acostumado a fazer.
O coração de Alex começou a acelerar, mas ele se esforçou para manter a calma, usando sua experiência da vida passada, respirou profundamente para se acalmar - n-na verdade.
Rafael arqueou as sobrancelhas.
- Pode ficar tranquilo, filho. Não tenha medo. Basta me dizer e eu te ajudarei.
Alex, um pouco mais calmo, prosseguiu - A verdade é que durante a madrugada, acho que eu ouvi um uivo...
...
...
...
Rafael ao ouvir a resposta fechou os olhos e entrou em estado de reflexão, ele percebeu que o filho estava nervoso, e agora até entendia o porquê, já que sabia que lobos não são vistos a muito tempo, pelo menos em Beacon Hills.
A princípio acreditou que deveria ter sido apenas impressão, mas o medo que Alex transmitia era genuíno, então não era tão simples assim.
Ao mesmo tempo, também não explicava porque ele iria querer aprender sobre seu trabalho, apenas o nervosismo dele.
Alex ao ver o silêncio que seu pai estava finalmente percebeu seu erro, e correu para o corrigir - M-mas acho que pode ter sido só um pesadelo, estava muito escuro e não tenho certeza do que vi ou ouvi - Você viu algo? - indagou Rafael - não, quero dizer, não olhei fora da barraca e a única coisa que via era a penumbra das árvores.
Com um suspiro, Rafael decidiu aceitar aquilo momentaneamente, mas depois teria que verificar algumas coisas, percebeu que seu filho estava nervoso, e provavelmente escondendo algo - O que seria isso e por quê - ainda permanece um mistério do qual ele não sabe ainda.
Então, para ver se consegue entender melhor e descobrir o que causou essas mudanças em seu filho, e o como prosseguir, resolveu ensinar a ele sobre seu trabalho, mas antes iria testá-lo, afinal Alex é uma criança, dificilmente irá entender coisas complexas.
POV - Alex
Ao ouvir sua resposta, dou um sorriso espontâneo e o abraço - *Droga, essa foi por pouco, preciso tomar mais cuidado com a forma que ajo por enquanto*
Após um tempo nos afastamos, claro eu estava empolgado para começar a aprender, e agi como uma criança curiosa, comecei a bombardeá-lo de perguntas - Como funcionam as investigações? como criam suspeitas? onde é feito o trabalho? o que é necessário para ser um bom agente?
Ele deu uma risadinha ao ver minha empolgação - Calma, não tão rápido, vou começar te ensinando o básico, e somente se sua mãe concordar, então boa sorte - ele acariciou meus cabelos bagunçados enquanto sorria.
Desânimei um pouco, mas logo supero, sei que se eu pedir com jeitinho ela aceitará, então agindo como uma criança que acabará de ganhar um brinquedo novo, o puxo pela camisa - Vamos, vamos pai, quanto antes irmos, mais rápido começamos - eu estava animado afinal, eu não sabia quando teria outra oportunidade assim.
Ele apenas riu dizendo para eu me acalmar um pouco, e fomos para a cozinha, e o cheiro de café invadiu minhas narinas, enquanto minha mãe estava preparando panquecas e Scott estava animado com alguma coisa aleatória, nos sentamos, eu ao lado de meu irmão e ele na minha frente enquanto esperávamos Melissa sentar na mesa, eu estava animado, mas tentava manter o controle.
Após um tempo, ela finalmente chega - Mãe? - a chamo com um olhar meio nervoso.
Ela me olha com curiosidade
- O que houve Alex? - ela está confusa, pois nunca me viu nervoso antes, pelo menos do jeito que estou agora - S-se possível, a sen-senhora pode deixar eu aprender com o pai - falei apressadamente com a voz sumindo no final.
Sua expressão permanece confusa - Você pode repetir, por favor? - aperto minhas mãos em busca de acalmar meu nervosismo - Por favor, deixe-me aprender com o pai como funciona o trabalho dele - fecho meus olhos com força inclinando minha cabeça para baixo enquanto espero sua resposta.
...
...
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Espio por um dos olhos, e vejo sua expressão ficar meio rígida, alternando o olhar entre mim e Rafael, como se perguntasse o que está acontecendo, já Scott estava com um brilho em seus olhos - Mãe, mãe posso aprender também por favor - com carinha de cachorro pidão ele pediu.
Achei inesperado, já que ele não se interessa muito por estudar, contudo, uma surpresa bem vinda já que aumentou as chances da mãe aceitar... ou não, sua expressão se enrijeceu ainda mais, aparentemente ela não gosta muito da ideia dos filhos seguirem os passos do pai e se tornarem agentes...
- Por que? - ela perguntou soltando um suspiro pesado - apenas me diga o porquê e então eu decido se deixarei - minha mente travou, eu sabia que não podia demorar para responder, mas se eu fosse descuidado criaria ainda mais suspeitas para Rafael.
Engulo em seco, sei que não posso responder de um jeito qualquer, mas também precisava ser algo convincente, eu ouvia o tic-tac do relógio, e sentia como se toda a atenção estivesse em mim, um turbilhão de respostas se passavam em minha mente, mas nada parecia funcionar.
- Ué porque o papai é incrível, ele prende as pessoas más e ajuda as boas não? - Scott falou confuso inclinando a cabeça pro lado *Obrigado Scott, te devo uma* - Sim, Sim, o trabalho dele é muito legal e parece ser divertido - falo assentindo com a cabeça em concordância com Scott.
- Haaah - ela expira de forma cansada e levanta as duas mãos em sinal de impotência - Tudo bem, tudo bem, eu deixo vocês aprenderem com ele, mas ao primeiro índice de algo perigoso vocês terão que parar - disse em tom autoritário apontando para nós dois.
- Calma querida, eles são crianças, não vou levá-los para fazer algo perigoso ou coisa do tipo, não se preocupe - mas enquanto ele disse isso manteve os olhos em mim, aparentemente ele percebeu minha hesitação.
O resto do café da manhã foi tranquilo, Scott ainda agitado e ansioso para aprender com nosso pai, Melissa, ainda incomodada com nosso pedido, Rafael pensando em o que nos ensinar e eu mais calmo comia tranquilamente.
E finalmente chegou a hora, ele nos chamou para sala, e saiu aparentemente para pegar algo, me pergunto o como ele fará para ensinar crianças sobre seu ofício...
Scott estava bastante animado, e ficava me perguntando o que eu achava que iríamos aprender, o que faríamos, se iríamos sair, e inúmeras perguntas desse tipo, das quais apenas pude sorrir dando de ombros.
Um pouco depois, nosso pai desceu as escadas carregando alguns papéis, olhei curioso para ele quando parou em nossa frente, me perguntando o que ele tinha planejado.
Felizmente, minhas dúvidas logo se dissiparam, nos papéis tinha o famoso jogo dos 7 erros *Então ele pretende testar nossa habilidade de analisar e distinguir, algo relacionado a nossa capacidade de observação, e necessário para ser um bom agente, interessante*
Mesmo que pareça um jogo simples, tem muito mais do que isso, ao ver a folha, percebo rapidamente que seria algo difícil para crianças de 5 anos como a gente resolver, então isso é um teste hein...
- Bom, vocês pediram para eu ensinar sobre meu trabalho, então resolvi começar por isso, assim que vocês resolverem me avisem, levem o tempo que precisarem - ele deu um sorriso gentil no rosto, mas manteve-se focado em mim, *talvez ele tenha expectativas?*
Ao olhar pro lado, percebo que Scott está confuso, e que seu desenho é diferente do meu, o que faz sentido já que assim não poderemos copiar um do outro.
Foco no meu desenho e percebo que é relativamente fácil, mas não para uma criança de 5 anos, sei também que não posso resolver muito rápido se não seria suspeito.
Respiro profundamente de forma intencional, como se estivesse me concentrando, e começo primeiro a procurar os 7 erros, e então começo lentamente a ir circulando eles, claro não de uma vez, após cada um eu esperava um tempo enquanto mexia com o lápis como se procurasse.
Após 10 minutos termino e com o sorriso mais genuíno que consigo fazer, me levanto e vou até ele, dizendo de forma entusiasmada - Pai, pai, terminei, olha por favor - Vendo sua reação ele parece surpreso.
Em seguida ele olha para Scott, acompanho seu olhar e vejo que ele não marcou nenhum erro ainda e parece distraído, provavelmente isso seria chato para uma criança normal.
Não pude deixar de balançar levemente a cabeça, e voltar a olhar para nosso pai que agora olhava o papel que entreguei.
Dando um aceno positivo ele disse.
- Está muito bom, parabéns Alex acertou todos - Scott olhou para mim espantado, considerando que ele não achou nenhum, ele deve ter ficado um pouco triste ao saber disso - E quanto a você Scott, não se preocupe, Alex que é uma anomalia, crianças deveriam brincar e correr por aí, as que optam por coisas "chatas" são raras - ele disse de frente a Scott, enquanto acariciava sua cabeça.
Scott se animou na hora, e deu um pulo de alegria enquanto falava.
- O senhor tem razão pai, hahaha, tá vendo irmão, você é estranho - Ele ria, como se fosse algo ruim, eu apenas dei uma risadinha leve - Sim Scott, eu sou estranho, e você normal.
Após um tempo, ele parou de rir, se levantou e disse.
- Pai, mesmo que seu trabalho seja incrível, me desculpe, mas não quero, é muito chatooo.
Rafael apenas riu, e acenou com a cabeça dizendo que estava tudo bem.
Após Scott sair, ele voltou o olhar para mim, e com uma expressão interrogativa perguntou.
- E você, Alex, quer continuar aprendendo sobre meu trabalho, ou se juntar a seu irmão - *Acho que ele está dando uma chance, já que pode achar que era algo fingido* - SIM! Eu quero continuar, gostei bastante de fazer esse jogo dos 7 erros - respondo com empolgação me levantando do sofá.
- Muito bem, por agora, vá descansar, amanhã começarei a te ensinar - ele provavelmente não esperava que eu fosse seguir, e agora tem que pensar em como ensinar isso a uma criança.
- Obrigado pai, te amo - o abracei, e em seguida fui em direção aonde Scott estava para brincarmos juntos.
O tempo começou a se passar rapidamente, e meu treino normalmente consistia em coisas simples, como o jogo dos 7 erros, às vezes íamos a restaurantes, onde ele me dizia para me perguntar o que eu achava, sobre o estado das coisas ali dentro.
Cinema, normalmente me perguntando coisas sobre os filmes que assistimos, e detalhes que normalmente as pessoas não reparam nele.
Shopping, para ver mais tipos de pessoas, e me acostumar a ver tantas coisas diversas, aprender a observar os detalhes, mesmo que normalmente fosse em forma de brincadeiras, como o que é, o que é, dando alguns detalhes do objeto, para ver se eu conseguia descobrir.
Conforme eu crescia ele me perguntava se eu reparava coisas incomuns nas pessoas, ou deduções que eu fiz apenas os analisando rapidamente, não sendo mais tão específico sobre o que exatamente, e dificultando às vezes.
Tenho certeza que ele percebeu que não sou como as crianças normais, já que me destaco e aprendo tudo que ele ensina rapidamente, e sei que ele desconfia de mim desde o dia em que acampamos, mas bem, nunca tocamos nesse assunto.
Ele também me passava tarefas um pouco mais complexas, como casos inventados, para ver se eu conseguia interligar as informações com o suposto suspeito, e como eu lidaria com cada situação.
Acho que ele deixou de considerar uma brincadeira de criança quando viu minha capacidade, e quis me ajudar a aproveitar o máximo de meu potencial.
Com o passar dos anos eu e ele nos aproximamos muito, enquanto Scott se aproximou mais de nossa mãe, acho que ele se sentia meio solitário comigo passando tanto tempo aprendendo com nosso pai.
Ainda assim, meu relacionamento com eles dois não era ruim, eu diria até que era bem bom, temos o costume de fazer uma noite de jogos na sexta, Scott e eu brincamos bastante quando não estou com o pai, e nossa mãe costuma ler livros infantis para dormirmos.
Honestamente falando, é uma vida tranquila, e estou muito feliz com essa oportunidade que tive, sei que ainda há muitos perigos por vir, mas por enquanto acho que posso simplesmente aproveitar.
Recentemente, percebi que Rafael tem chegado mais tarde do que o normal, mais cansado, e com sinais de stress, suspeito que ele tenha começado a beber, mas não sei como abordá-lo sobre isso.
O tempo foi passando e isso ficou cada vez mais e mais evidente, mas ainda mantínhamos uma ótima relação e ele me ensina sempre que possível.
Claro, junto ao tempo que passou, a escola foi avançando, e então chegou o dia, hoje acordei cedo como de costume para me arrumar, e ler um pouco sobre alguns casos que meu pai deixou separado enquanto trabalhava para eu praticar.
Desci para o café da manhã, e estava mais animado do que o normal, Scott e eu temos 9 anos e vamos começar a 3° Série hoje, o que significa que há altas chances de eu conhecer Stiles e Lydia hoje.
O céu ainda estava escuro, de tão cedo que era, Scott também já tinha se arrumado, apesar de manter-se tímido e antisocial como mostrado no início da série, ele já era um pouco mais atlético, acho que isso se deve a ele querer me superar em algo, e como aprendo muito com o pai, ele quer me superar no físico.
E claro, apesar de eu não negligenciar o treino físico, ainda não é meu foco, conheço os limites do meu corpo e ainda sou criança, então não tenho porque focar tanto nisso por enquanto.
Estávamos arrumados, e como de costume nossa mãe nos levou de carro para a escola, ao adentrar seguimos em direção a sala, quando estávamos virando um corredor e uma pessoa esbarra em mim.
Antes que ela caia a amparo, e a seguro, mas quando vejo seu rosto sinto um choque percorrer por meu corpo, afinal essa pessoa é...
*Continua*
