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Chapter 8 - Capítulo 7: O Sangue que Não Morre

Ponto de Vista: Gilgamesh, o Rei dos Heróis

O trono dourado de Uruk erguia-se no coração do salão eterno, banhado pela luz eterna que nunca se apagava nas profundezas do Trono dos Heróis. Eu, Gilgamesh, Rei dos Heróis, Soberano de todas as coisas, estava reclinado em meu assento de tesouros acumulados ao longo de eras, o manto vermelho escuro caindo como sangue sobre o ouro reluzente. O ar aqui não era ar – era a essência condensada da história humana, o eco de todas as conquistas, todas as glórias, todas as derrotas que moldaram o mundo.

E ainda assim, algo perturbava a perfeição absoluta.

– Uma sensação sutil, como o primeiro tremor antes de uma avalanche distante. –

Meu sangue – o sangue divino que corre em mim, dois terços de deus, um terço de homem – pulsou. Não era dor. Não era fraqueza. Era... reconhecimento. Como se uma corda esquecida, enterrada nas profundezas do tempo, tivesse sido puxada de repente.

Sha Naqba Imuru, minha clarividência suprema, ativou-se instintivamente. Meus olhos dourados se estreitaram, vendo além das cortinas da realidade. Não eram visões claras – o Trono dos Heróis distorcia o fluxo do tempo e do espaço –, mas fragmentos. Um garoto de cabelos ruivos com mechas azuis elétricas, olhos heterocromáticos – verde vivo e roxo profundo –, parado em uma vila de madeira e telhados curvos. Chakra fluindo em suas veias como rios selvagens. Poderes que não pertenciam a este mundo: infinito conceitual, adaptação absoluta, criação instantânea, caos primordial.

E no centro de tudo... meu sangue.

– Levantei-me devagar do trono, o som das correntes de Enkidu tilintando suavemente contra o chão dourado. –

Gilgamesh: Interessante... muito interessante.

Minha voz ecoou no salão vazio, carregada de diversão genuína e uma pitada de irritação aristocrática. Eu, que havia conquistado o mundo conhecido, que havia desafiado os deuses e perdido Enkidu por minha própria arrogância, que havia buscado a imortalidade e retornado mais sábio... eu sentia um descendente. Não um herdeiro direto da linhagem que terminei em vida – minha linhagem mortal se extinguiu com a queda de Uruk –, mas algo mais sutil. Um eco distante, uma ramificação que o destino – ou algum deus entediado – decidiu preservar.

'Dois terços de divindade não se apagam tão facilmente', pensei, sorrindo com desdém. 'Mesmo quando o corpo morre, o sangue lembra.'

Sha Naqba Imuru mostrou mais: o garoto – Kai, chamavam-no – carregava fragmentos do meu tesouro. Não o Gate of Babylon completo, mas ecos. Correntes douradas que lembravam Enkidu, um brilho de autoridade que ecoava minha Regra de Ouro, carisma que fazia outros se curvarem sem perceber. E mais: poderes que eu nunca possuí em vida, mas que pareciam extensões naturais do que eu representava – o rei que possuía tudo.

Gilgamesh: Hmph. Um bastardo híbrido, misturando meu sangue com... o que? Dragões de outros mundos? Maldições amaldiçoadas? Criação pixelada? Que palhaçada cósmica é essa?

Mas o sorriso não desapareceu. Pelo contrário – cresceu. Porque, no fundo, eu sentia orgulho. Não o orgulho mesquinho de um pai mortal, mas o orgulho de um rei que via sua essência sobreviver, mesmo que diluída, mesmo que misturada com lixo de outros universos.

– Caminhei pelo salão, os passos ecoando como sinos de ouro. –

Gilgamesh: Você carrega meu sangue, garoto. Isso significa que carrega o direito de possuir tudo. Mas também carrega o dever de provar que merece.

Eu parei diante do grande espelho do Trono – uma superfície de cristal negro que refletia não o presente, mas possibilidades. Ali, vi Kai treinando em Konoha: barreiras infinitas que paravam kunais no ar, velocidade que borrava o movimento, criação de objetos do nada com cooldowns irritantes. Vi também os perigos: entidades de outros mundos farejando sua existência, o destino tentando corrigir a variável que ele representava.

Gilgamesh: Você não está sozinho nisso, descendente distante. O Rei dos Heróis observa.

Eu estendi a mão. O Gate of Babylon se abriu parcialmente – apenas uma fresta, o suficiente para enviar um fragmento. Não uma arma poderosa – ainda não. Um pequeno anel de ouro simples, gravado com o símbolo de Uruk e uma runa que significava "herdeiro". Ele cairia em seu caminho, como se por acaso. Quando Kai o tocasse... sentiria o chamado.

Gilgamesh: Prove seu valor. Se falhar... bem, o sangue divino não tolera fraqueza por muito tempo.

O sorriso voltou, predatório e satisfeito.

Gilgamesh: Mas se triunfar... talvez eu mesmo apareça para ver se você merece carregar o nome que eu dei ao mundo.

Enquanto isso, em Konoha...

Ponto de Vista: Kai Uzumaki

Eu estava no pátio do orfanato, treinando discretamente sob o olhar atento de algumas crianças curiosas. Kushina havia me levado para morar temporariamente com ela e Minato – "Você é família, dattebane! Não vai ficar nesse lugar fedendo a sopa velha!" –, mas eu ainda voltava ao orfanato para ajudar e manter laços. Hoje, eu praticava controle de sombra: esticando minha própria sombra como tentáculos negros, usando o elemento Sombra de Ninjago (Dragão Fonte do Equilíbrio).

– Uma sombra se ergueu como uma cobra, envolvendo uma bola de madeira e trazendo-a até minha mão. –

Criança: Uau, Kai-nii! Como você faz isso?

Kai: Segredo de família, hehe. Quer tentar? É só imaginar a sombra como sua mão extra.

Enquanto brincava com eles, uma sensação estranha me atingiu. Meu sangue – não o Uzumaki, mas algo mais antigo, mais divino – aqueceu. Como se alguém, em algum lugar muito distante, tivesse me notado.

[Elias: Ding! Anomalia detectada. Fluxo de energia divina externa. Origem: desconhecida, mas compatível com sua linhagem Gilgamesh latente. Intensidade: baixa. Nenhum dano imediato.]

Kai: 'O quê...? Gilgamesh? O Rei dos Heróis... sentindo minha existência?'

Eu parei, olhando para o céu. Nuvens passavam lentas, mas por um segundo, jurei ver um brilho dourado distante, como um portal se abrindo e fechando.

– Então, algo caiu do céu. Não com força – suavemente, como uma pena. –

Um anel de ouro simples rolou até meus pés. Gravado nele: o leão alado de Uruk e a runa que, com Sha Naqba Imuru parcial ativada, eu entendi imediatamente: "Herdeiro".

Kai: Isso... não é coincidência.

Peguei o anel. No instante em que toquei, uma voz ecoou na minha mente – grave, arrogante, divertida.

Voz (Gilgamesh): Você carrega meu sangue, garoto. Não o desperdice com mediocridade. Prove que merece o tesouro que um dia será seu... ou pereça tentando.

A voz sumiu, deixando apenas um calor residual no anel.

[Elias: Ding! Item adquirido: Anel de Herdeiro de Uruk (Nível Baixo). Boost temporário em Carisma e Divindade Gilgamesh +5%. Acesso parcial ao Gate of Babylon desbloqueado (apenas 3 tesouros por dia, cooldown 24h). Exp +500. Nível 4 alcançado! Atributos gerais +8.]

Kai: 'O Rei dos Heróis... me reconheceu. Isso muda tudo.'

Olhei para o anel na palma da mão pequena. Sorriso confiante – quase arrogante – surgiu em meus lábios.

Kai: Então venha me observar, Rei. Eu não vou decepcionar.

Enquanto as crianças continuavam brincando, eu guardei o anel na bolsa. O futuro acabara de ficar muito mais interessante – e perigoso.

Em algum lugar além do tempo, Gilgamesh riu.

Gilgamesh: Bom garoto. Vamos ver quanto tempo você dura.

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