Ficool

Chapter 5 - Chapter 5 — Vigil

Na manhã seguinte, Shin acordou em uma casa já vazia, sem vozes.

Seus irmãos ainda dormiam, espalhados pelo chão e pelos tapetes, mas seu pai não estava lá. Nem as sandálias perto da porta. Hana se movia em silêncio, preparando algo simples, como se qualquer som mais alto pudesse interromper o dia.

— Para onde foi o papai? — perguntou Shin, esfregando os olhos.

— Para cuidar de assuntos de adultos — ela respondeu.

A resposta era sempre a mesma. Mas desta vez soou diferente. Não fechada. Cansada.

Após comer, Shin tentou sair. Hana o segurou pelo pulso.

— Fique perto de casa hoje.

- Por que?

Ela abriu a boca para responder. Fechou-a. Passou a mão pelo rosto.

— Porque eu te pedi.

Shin assentiu com a cabeça. Ele não gostou, mas entendeu que insistir não adiantaria.

Lá fora, a aldeia era estranha.

Os homens andavam armados, mas não como caçadores. As lanças e facas estavam impecáveis, presas aos seus corpos como se fossem parte deles. Alguns tinham o rosto pintado com linhas simples, algo antigo, usado apenas em tempos difíceis.

Não houve gritos. Nem ordens. Cada pessoa parecia saber o que fazer sem que ninguém precisasse dizer nada.

Shin sentou-se perto da porta e observou.

Ele viu quando um grupo partiu em direção à trilha do norte. Outro seguiu o caminho até o rio. Dois permaneceram na entrada da aldeia, imóveis, como estátuas.

Foi uma vigília.

Ele sabia o que era uma vigília. Ouvira histórias, contadas em voz baixa, que sempre terminavam muito depressa.

O tempo passou lentamente.

O sol nasceu. Depois se pôs um pouco. Ninguém voltou.

No meio da tarde, um cachorro começou a latir perto da floresta. Um latido curto e nervoso. Então parou de repente.

Shin sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Hana apareceu na porta atrás dele.

— Entre.

— O cachorro—

— Lá dentro, Shin.

Ele obedeceu.

Dentro de casa, o ar parecia mais pesado. Os irmãos estavam acordados, mas quietos demais. O mais novo brincava com um pedaço de madeira, batendo-o no chão sem ritmo.

Quando Ryo voltou, já estava quase escuro.

Ele não se feriu.

Estranhamente, isso não tranquilizou ninguém.

Ele entrou, trocou um olhar rápido com Hana e sentou-se. Bebeu água como se tivesse atravessado um deserto.

— Você encontrou alguma coisa? — perguntou Hana.

Ryo demorou bastante para responder.

— Rastros — disse ele finalmente. — E sinais de incêndios extintos.

- Cujo?

Ryo olhou para os filhos. Depois, para o chão.

- Não sei.

Essa foi a pior resposta.

Naquela noite, ninguém dormiu junto. As crianças foram separadas, cada uma em um canto da casa. Hana explicou que era para que elas "não se empurrassem".

Shin não acreditou nisso.

Deitado, olhando fixamente para o teto, ele tentou contar as marcas na madeira como sempre fazia. Mas perdeu a conta várias vezes.

Lá fora, o vento trazia um cheiro estranho.

Não era fumaça.

Era algo mais seco.

Algo queimou… há muito tempo.

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