Ficool

Chapter 7 - capítulo 4 curto - circuito

Eles não chegaram à Torre da Sinfonia por sorte. Cada câmera desativada, cada drone caído e cada beco escuro parecia ter sido planejado para guiá-los até o subsolo do Grande Auditório Nacional.

Quando as portas de aço se abriram, eles não encontraram um exército de guardas. Encontraram uma sala circular, branca e asséptica, preenchida pelo som de um metrônomo que batia em um ritmo perfeito: 60 batidas por minuto. O batimento cardíaco da humanidade.

No centro da sala, um homem alto de jaleco e cabelo preto impecável os esperava. Era o Dr. Natchai um dos cientistas da Symphony.

— Finalmente — disse natchai, sem tirar os olhos de um painel holográfico. — O Vácuo e a Tempestade se encontraram.William deu um passo à frente, sua frequência começando a vibrar de forma perigosa, mas Est apertou sua mão, estabilizando-o.

— Acabou, Dunk — Est disse, sua voz ecoando com uma autoridade que ele nunca teve antes o chamando por um nome conhecido. — Nós sabemos o que somos. Você não pode mais nos controlar.

Dunk soltou uma risada curta e seca, caminhando em direção a eles.

— "Controlar"? Est, meu caro garoto... eu nunca quis controlar vocês. Eu queria cultivá-los.

le acionou um comando e as paredes da sala tornaram-se transparentes, revelando milhares de cápsulas de criostase. Dentro de cada uma, havia pares: um Dissonante e um Vácuo, todos conectados por fios neurais.

— A Symphony está morrendo — continuou Dunk. — As pessoas estão se tornando imunes às frequências de paz. A sociedade precisa de um novo combustível. O amor comum é fraco, mas a energia gerada por dois polos opostos que desafiam a morte para ficarem juntos... isso é a energia mais pura do universo.

William sentiu um calafrio. 

— Você está dizendo que...

— Sim — interrompeu Dunk, parando a poucos centímetros de William e olhando nos olhos . — Eu criei o ruído que te torturou por vinte anos, William. Eu projetei a surdez sensorial de Est. Eu coloquei vocês dois na mesma cela. Eu até permiti que vocês fugissem. Cada beijo, cada faísca de esperança que vocês sentiram no observatório foi monitorada. Vocês não são fugitivos. Vocês são a Bateria Principal.

Thorne apontou para o painel central.

— Quando vocês se fundirem completamente — o que acontecerá em breve, já que o corpo de Est não suportará a sua carga por muito mais tempo, William — vocês enviarão um pulso que resetará a consciência de toda a população. Vocês salvarão o sistema, tornando-se os mártires silenciosos dele. Vocês viverão para sempre... mas em uma cápsula, num sono eterno, alimentando o mundo com o seu amor.

O silêncio que se seguiu foi o mais pesado que já experimentaram. Não era o silêncio de paz de Est, era o silêncio da desesperança. Est olhou para William. Ele viu o horror nos olhos do homem que amava. Se ficassem juntos, eles se tornariam os escravos do sistema que odiavam. Se se separassem, William voltaria ao inferno do ruído e Est morreria no vazio.

— Existe uma terceira opção? — Est perguntou, sua voz baixa, quase um sussurro.

Dunk sorriu, um sorriso de quem já ganhou o jogo. — Nenhuma que envolva a sobrevivência de ambos.

William apertou a mão de Est, mas desta vez, a energia não era de paz. Era de decisão. Ele olhou para Est e, através da conexão deles, enviou um pensamento, uma melodia que Thorne não podia ouvir:

"Se somos a bateria, Est... o que acontece se a

gente causar um curto-circuito?"

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