Esse garoto é um completo maníaco…
Ele esmagou várias pessoas vivas… como se fossem insetos…
E não demonstrou nem a menor oscilação emocional…
Ao perceber isso, Tony Stark imediatamente classificou Saint como extremamente perigoso.
Mas então ele lembrou—
De todas as vezes em que tentou provocá-lo antes.
Apesar de estranho… Saint era só um pirralho meio irritante.
Então… ele só enlouquece quando está lutando?
Depois de perceber isso, Tony ajustou sua avaliação.
De extremamente perigoso… para relativamente perigoso.
E, instantaneamente, se sentiu muito mais à vontade.
Ninguém quer ficar ao lado de um maníaco assassino.
Mas um lunático viciado em combate já era algo mais fácil de aceitar.
Nesse momento, a voz ansiosa de James Rhodes ecoou pela caverna:
"Tony! Como está aí?! Estamos prestes a entrar em combate, aguenta firme!"
Tony pegou o comunicador.
Olhou para Saint com uma expressão estranha.
E respondeu num tom igualmente estranho:
"Uh… Rhodey… eu estou completamente seguro agora."
"Na verdade, você nem precisa se apressar… pode vir com calma…"
"TONY!!!"
"Para com essa tua arrogância de merda! Agora não é hora pra isso!"
"…"
Tony olhou mais uma vez para Saint.
E, com uma rara seriedade, falou:
"Rhodey… acredita em mim…"
"Em quarenta anos de vida… eu nunca fui tão humilde quanto agora."
"...PORRA!"
"Você melhorou muito como ator, Tony Stark!"
"Humilde?! Você consegue mentir assim, com essa cara séria, que eu quase acredito!"
"…"
Quinze minutos depois—
James Rhodes, junto com Phil Coulson, Melinda May e mais de uma companhia de soldados armados, chegou ao fundo da caverna.
E então—
Eles viram.
Logo na entrada…
Cadáveres empilhados como uma montanha.
Sangue escorrendo como rios.
Ou melhor—
Restos humanos espalhados por toda parte, com formas irreconhecíveis.
Ho Yinsen, que já tinha vomitado várias vezes, estava pálido como um fantasma, mal conseguindo ficar em pé.
Tony Stark lutava para não vomitar.
Seu rosto estava completamente lívido.
Sem qualquer traço do seu sarcasmo habitual.
Só… peso.
E Saint—
Limpo.
Da cabeça aos pés.
Sem uma única gota de sangue.
Com uma expressão calma…
Como um garoto comum.
Mas ninguém ali ousava duvidar.
Aquilo tudo… era obra dele.
"…"
"…"
"…"
O silêncio era absoluto.
Pesado.
Morto.
Mesmo Coulson… que o conhecia melhor que todos ali…
Só conseguia descrever o que sentia como algo devastador.
Antes disso, em todos os conflitos com a SHIELD, Saint nunca tinha pesado a mão.
Mesmo cercado por armas…
Sempre demonstrava misericórdia.
Nunca matou ninguém.
Por isso, Coulson jamais imaginou—
Que aquele garoto que ele considerava "detestável, mas de bom coração"…
Guardasse algo tão brutal dentro de si.
Mais da metade dos corpos ali…
Nem sequer podiam ser reconhecidos.
E aquela massa grotesca de carne, ossos e sangue—
Misturada em tons de branco, vermelho e preto—
Coulson sequer queria pensar em como aquilo foi formado.
"Ugh!!!"
Tony Stark.
Assim que relaxou ao ver Rhodey—
Perdeu completamente o controle.
Saint lançou um olhar de lado.
E não pôde deixar de se perguntar se aquele desgraçado ainda teria estômago pra comer hambúrguer quando voltasse pros Estados Unidos.
Enquanto ajudava Tony, Rhodes finalmente entendeu o que ele quis dizer antes:
"Não dá pra descrever…"
Era o tipo de cena que só existia em relatos de guerras antigas.
E mesmo assim—
Só vendo com os próprios olhos…
Para entender o quão absurdo aquilo era.
"Vamos sair daqui, Tony."
Rhodes o apoiou e começou a levá-lo para fora.
No comunicador, perguntou:
"O blindado já chegou na entrada da caverna?"
Logo depois—
O grupo inteiro saiu rapidamente.
Ninguém quis olhar para trás.
E ninguém lembrou…
Que, no canto escuro da caverna—
Os projetos do Mark I, desenhados pelo próprio Tony Stark…
Ainda estavam lá.
Oito horas depois — Base da Força Aérea dos EUA, Afeganistão
Diante de um jato branco elegante—
Tony Stark, vestindo um terno cinza listrado impecável, já havia recuperado seu charme habitual.
Mas ainda parecia irritado.
"O quê?"
"Você não vai no meu jato particular?"
"Qual é… vai voltar voando sozinho agora, Garoto Spray de Cabelo?"
"Não é impossível."
Saint deu de ombros.
Engoliu o resto da frase e apontou para outro ponto da pista:
"Mas eu tenho um transporte especial me esperando."
"Ah, os agentes da CIA?"
Tony cruzou os braços.
Ele claramente não aceitava um "não".
"Como um avião militar pode ser melhor que o meu?"
"Escuta bem, Garoto Spray de Cabelo… você vai se arrepender disso."
"Bom… em conforto e luxo, ninguém ganha de você, Homem-Lâmpada."
Saint concordou.
Depois deu de ombros novamente:
"Mas em tecnologia… o deles é melhor."
"Decola e pousa verticalmente. Fica pairando no ar."
"E é mais rápido que o seu."
"Impossível."
Tony nem tentou esconder o ego.
"Você está se gabando, Garoto Spray de Cabelo."
"Se existisse um avião assim… teria sido feito por mim."
"Quem mais faria?"
"Seu pai…"
Saint deu de ombros mais uma vez.
E explicou, olhando direto para ele:
"O núcleo tecnológico do Quinjet… veio do Howard Stark."
