Enquanto isso, Phil Coulson e Melinda May entraram em uma tenda recém-montada no deserto.
Ao redor da tenda verde-escura havia um verdadeiro aparato militar: um tanque pesado, dois veículos blindados armados, três transportes de tropas, cinco jipes militares e um veículo de comunicação por radar. Mais afastados, fora de vista, ainda havia três helicópteros de combate.
Dentro da tenda, que funcionava como centro de comando temporário, o oficial de maior patente era um general de brigada branco. Mas, curiosamente, todos — incluindo tenentes, oficiais de campo e até o próprio general — pareciam seguir a liderança de um coronel negro.
O primeiro a cumprimentar Coulson foi justamente ele.
Ele estendeu a mão:
"James Rhodes, Coronel da Força Aérea."
Se Saint estivesse ali, reconheceria na hora: o futuro Máquina de Combate, melhor amigo do Homem de Ferro.
Coulson apertou sua mão:
"Phil Coulson, CIA."
Logo depois, Rhodes cumprimentou May, e o grupo formou um círculo para discutir o plano de ação.
A reunião mal tinha começado quando uma voz cortou o clima.
"Um momento."
O general de brigada, que até então parecia só enfeite, finalmente falou.
Ele apontou para Coulson:
"Todos os nossos planos estão girando em torno desse tal 'reforço externo'… só porque ele é algum tipo de 'Super Garoto'? Isso não é infantil demais?"
Ele cruzou os braços, claramente irritado.
"Ele só encontrou o Tony Stark porque tem alguma habilidade especial — tipo esses malditos mutantes. Isso não prova que ele consegue fazer tudo isso que você está dizendo."
Depois de falar, olhou ao redor e soltou:
"Por que deveríamos apostar tudo em um pirralho de dezenove anos?!"
Vários oficiais assentiram discretamente.
Eles confiavam no exército — não em alguém que apareceu do nada.
"General, eu entendo sua preocupação."
Coulson manteve a calma.
"Mas vocês não conhecem a força do Golden Boy como nós."
Ele falou sem hesitar:
"Eu coloco minha vida em jogo: ele vai encontrar e proteger Tony Stark sem alertar o inimigo. Tudo que precisamos fazer… é esperar."
"Ridículo!"
O general rebateu na hora.
"Suas palavras não valem nada pra mim. Apostar a vida? Sua vida vale tanto quanto a do Tony Stark?"
Coulson franziu levemente a testa.
O tom dele esfriou:
"Discutir isso agora não faz sentido."
"Golden Boy não responde a nós. Nem a ninguém."
"E, aliás… ele já está dentro da caverna."
"QUÊ?!"
James Rhodes, que até então estava neutro, mudou de postura na hora.
"Agente Coulson! Você tem noção do que fez?!"
"Se algo acontecer com o Tony por causa disso, eu faço você responder na corte marcial!!!"
Com os dois oficiais mais importantes já exaltados, o resto perdeu o controle.
A tenda virou um caos de acusações contra Coulson.
E então—
crackle
Um som veio do bolso dele.
Logo depois, uma voz meio desleixada:
"Alô? Tem alguém aí?"
Silêncio absoluto.
"Tony?!"
Rhodes reconheceu na hora.
Ele empurrou o general e correu até Coulson:
"Tony! É você?!"
"Não adianta gritar…"
Coulson tirou um comunicador do bolso, meio irritado.
"Ele só ouve se eu apertar o botão."
Nesse momento, a voz de Saint surgiu:
"Por que ninguém responde… Ei! Homem-Lâmpada, você serve pra alguma coisa?"
Logo depois, veio a resposta arrogante de Tony:
"Garoto Spray de Cabelo, cala a boca!"
"Eu tenho sete doutorados. Quantos você tem?"
"Ah, foi mal… superestimei você. Terminou o ensino fundamental pelo menos?"
"…"
"…"
Silêncio total.
Coulson ficou alguns segundos sem reação.
Então abriu o comunicador e apertou um botão:
"Sr. Stark?"
A resposta veio na hora:
"Quem tá falando?"
"TONY!"
Rhodes arrancou o aparelho da mão de Coulson.
"Seu desgraçado! Que bom ouvir sua voz!"
"Rhodey?"
A voz de Tony mudou completamente.
Ficou séria.
"Você esteve me procurando esse tempo todo?"
"Ordem militar."
Rhodes respondeu, fingindo desdém — mas com os olhos levemente úmidos.
"O que mais eu faria? Acha que eu ficaria nesse inferno por vontade própria?"
Tony soltou um "Ha!" sem acreditar.
"Rhodey… elimina esses lixos aí fora e vamos pra casa."
"Beleza! Tô indo te buscar agora!"
"Te chamo de novo já já!"
Assim que desligou, Rhodes bateu na mesa e começou a disparar ordens.
Agora era corrida contra o tempo.
Pelo menos… na cabeça deles.
Do outro lado da linha…
Tony Stark guardou o comunicador e puxou uma bomba improvisada de um esconderijo na caverna.
Ele estava prestes a colocar na porta de ferro quando—
—foi interrompido.
Saint arrancou o explosivo da mão dele.
"Ei, ei, ei… que porra você acha que tá fazendo?"
"Ganhando tempo."
Tony respondeu, tranquilo.
Depois de tudo que tinha passado, ele já sabia: não tinha como competir com Saint na força.
Então nem tentou pegar de volta.
Só explicou:
"Quando o Rhodey atacar lá de fora… esses caras da Gangue dos Dez Anéis vão vir direto atrás de mim."
